Sistema alimentar e patrimônio imaterial: o chouriço no Seridó

O artigo apresenta dados etnográficos da festa da matança de porco e da produção de um doce – o chouriço na região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Apresentado como um dos elementos definidores da identidade seridoense, o doce é analisado aqui como patrimônio imaterial. Se o consumo de alimentos e...

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Detalles Bibliográficos
Autores principales: Julie Antoinette Cavignac, Maria Isabel Dantas
Formato: Artículo científico
Publicado: Universidade Federal de Goiás 2005
Materias:
Acceso en línea:http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=70380205
http://biblioteca.clacso.edu.ar/gsdl/cgi-bin/library.cgi?a=d&c=br/br-045&d=70380205oai
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Descripción
Sumario:O artigo apresenta dados etnográficos da festa da matança de porco e da produção de um doce – o chouriço na região do Seridó, no Rio Grande do Norte. Apresentado como um dos elementos definidores da identidade seridoense, o doce é analisado aqui como patrimônio imaterial. Se o consumo de alimentos está ligado a espaços, tempos, práticas, situações e comportamentos coletivamente vividos e imaginados, com a análise dessa prática alimentar, temos a oportunidade de explorar um sistema alimentar que informa sobre a organização e a lógica simbólica da sociedade sertaneja: é a ocasião de trocas, distribuições e retribuições quando se realiza o exercício da reciprocidade, apesar de esses alimentos serem revestidos de tabus e interdições. Durante a festa é possível percebermos elementos do sistema simbólico local (valores, crenças, representações e tabus) e dos aspectos sociais. O forte simbolismo que envolve a carne de porco e o sangue, bem como a sua ingestão, está relacionado a fatores simbólicos, sociais e imaginários. Fatores estes responsáveis pela transformação de alimentos proibidos em “alimentos-dádiva” que são capazes de gerar relações sociais e revelar uma cultura tradicional ainda performativa.