As condições de produção das piadas de Joãozinho

As piadas, por se valerem de algumas técnicas linguísticas como estratégia para que a veiculação de discursos reprimidos não seja explícita, de modo geral, reproduzem aquilo que é inaceitável e proibido dizer em certas circunstâncias. Livres de determinados procedimentos de controle do discurso,...

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Detalles Bibliográficos
Autor principal: Fernanda Góes de Oliveira Ávila
Formato: Trabajo revisado (Peer-reviewed)
Lenguaje:Portugués
Publicado: Jornadas de Jóvenes Lingüistas 2018
Acceso en línea:http://eventosacademicos.filo.uba.ar/index.php/JLL/I-JJL/paper/view/1777
https://repositoriouba.sisbi.uba.ar/gsdl/cgi-bin/library.cgi?a=d&c=jll&d=1777_oai
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Sumario:As piadas, por se valerem de algumas técnicas linguísticas como estratégia para que a veiculação de discursos reprimidos não seja explícita, de modo geral, reproduzem aquilo que é inaceitável e proibido dizer em certas circunstâncias. Livres de determinados procedimentos de controle do discurso, as piadas mobilizam discursos polêmicos, polissêmicos e que operam com estereótipos (que, por sua vez, estão relacionados a preconceitos), enfim, retomam discursos profundamente arraigados: nelas, as loiras são burras, as sogras são chatas, os casamentos são por interesse, os negros são ladrões. No caso específico das piadas de Joãozinho, os meninos são representados como maus alunos. O objetivo central deste trabalho é a análise de um corpus constituído por um conjunto de “piadas de Joãozinho”. Neste material, queremos avaliar, tendo como base teórica a Análise do Discurso francesa, quais são suas condições de produção, procurando compreender as razões histórico-sociais que explicam as causas dos meninos serem vítimas do discurso hostil que circula nas piadas. Buscaremos mostrar que as piadas de Joãozinho são enunciadas sob o simulacro de vozes infantis e são resultado de condições históricas de disputa na relação dos alunos com a escola e fruto da tentativa de os meninos (re)afirmarem sua masculinidade. Objetivamos, portanto, tornar claro que, a partir dessa tensão entre aluno e escola e a (má) conduta dos meninos, são criados estereótipos, tanto dos alunos quanto da instituição escolar, que são posteriormente postos em circulação pelo discurso humorístico por meio de uma técnica linguística.