Sintomas x hipóteses de escrita: análise de dados de sujeitos diagnosticados de dislexia específica de desenvolvimiento

O problema que esta pesquisa discute surge do que Vygotsky denomina, na citação acima, da falta de fronteira precisa entre o que é do campo do normal e do patológico. Diante das dificuldades vividas pelos sujeitos em sua entrada ao mundo das letras, durante pouco mais de 100 anos, a sociedade d...

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Detalles Bibliográficos
Autor principal: Laura María Mingotti Muller
Formato: Trabajo revisado (Peer-reviewed)
Lenguaje:Portugués
Publicado: Jornadas de Jóvenes Lingüistas 2018
Acceso en línea:http://eventosacademicos.filo.uba.ar/index.php/JLL/I-JJL/paper/view/1783
https://repositoriouba.sisbi.uba.ar/gsdl/cgi-bin/library.cgi?a=d&c=jll&d=1783_oai
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Sumario:O problema que esta pesquisa discute surge do que Vygotsky denomina, na citação acima, da falta de fronteira precisa entre o que é do campo do normal e do patológico. Diante das dificuldades vividas pelos sujeitos em sua entrada ao mundo das letras, durante pouco mais de 100 anos, a sociedade debate sobre quais aspectos dessas dificuldades são da ordem do normal ou são sintomas de uma alteração neu­rológica. Atualmente, esse debate parece ter tomado proporções consideráveis e deixou de estar circuns­crito apenas ao meio médico, mas está presente na mídia, na novela, na escola, nas conversas diárias, na família e até nas políticas públicas. Se essa fronteira não é empiricamente clara, ela é estabelecida ideológica, política e sócio-histori­camente (Foucault 1998). Assim, o desenvolvimento da ideia de que existiria uma patologia atrelada à leitura e à escrita, no que hoje é denominado de Dislexia Específica de Desenvolvimento, surge, segundo Moysés e Collares (1992), da aplicação pela medicina, de um raciocínio clínico tradicional, originário do estudo das doenças infectocontagiosas no século XIX, caracterizado pela relação lógica: “se A causa B, B só pode ser causado por A” (Moysés e Collares 1992: 33). A observação de casos de afasia, em que o sujeito tinha suas habilidades já adquiridas de leitura e escrita comprometidas (quadro esse denominado de Dislexia) foi estendida para a interpretação do caso de crianças que apresentavam dificuldades em aprender a ler e a escrever. O raciocínio clínico tradicional é aplicado: se um problema neurológico causa dificuldades na leitura e na escrita, as crianças que apresentarem essas dificuldades no processo de aqui­sição, logo, também apresentam uma patologia neurológica. Esse desdobramento, datado de 1895 por James Hinshelwood, desenvolveu-se e, atualmente, juntamente com outras patologias ligadas ao ato de aprender, adquiriram grande repercussão social. Exemplo disso é a incidência do transtorno: de acordo com órgãos oficiais como a Associação Bra­sileira de Dislexia,1 entre 5 e 17% da população mundial seriam dislexos, número bastante expres­sivo para uma patologia. Considerar que em uma sala de aula de quarenta alunos, pelo menos duas crianças apresentam um transtorno na leitura e na escrita é alarmante, e tem repercutido em diversos segmentos da sociedade: politicamente, vários projetos de lei que obrigariam as escolas a oferece­rem atendimentos específicos para os diagnosticados tem sido propostos em todo o país. Economi­camente, diversos profissionais como médicos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e psicólogos têm se beneficiado com esse novo público. Socialmente, a família e as escolas passam a atribuir ao bioló­gico a razão pelo fracasso no processo de ensino-aprendizagem, isentando-se de qualquer possível responsabilidade (Moysés e Collares 1992).