Só a realidade é capaz de contar tudo: imaginário midiático em três décadas de literatura argentina
Se a narrativa de Manuel Puig já se interrogava a respeito da influência da cultura de massas e os meios de comunicação sobre a sociedade, com o objetivo de questionar os papéis que um determinado imaginário social impõe aos indivíduos, seja por meio dos modelos e condutas de gênero assumidos por se...
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| Autor principal: | |
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| Formato: | Parte de libro |
| Lenguaje: | Portugués |
| Publicado: |
Syntagma Editores
2022
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| Materias: | |
| Acceso en línea: | https://repositorio.uca.edu.ar/handle/123456789/14567 |
| Aporte de: |
| Sumario: | Se a narrativa de Manuel Puig já se interrogava a respeito da influência da cultura de massas e os meios de comunicação sobre a sociedade, com o objetivo de questionar os papéis que um determinado imaginário social impõe aos indivíduos, seja por meio dos modelos e condutas de gênero assumidos por seus personagens, como pela maneira em que faz romper “todos os mitos básicos: desde o mito familiar até os da sociedade” (MONEGAL apud CORBATTA 1984, p. 594), uma série de novelas que César Aira publica nos anos noventa continua a exploração de estruturas que organizam nossa percepção do cotidiano desde os meios de comunicação que, igualmente aos modelos de conduta e os mitos sociais em Puig, estão dentro dos personagens. Desta mesma maneira, dois títulos de Alejandro López como A assassina de Lady Di e Queres foder? se incluem em algumas alternativas de alienação que podem produzir os meios. Esta linha de reflexão converge, desde a ficção, em uma novela publicada por Sergio Bizzio em 2009 com o título Realidade. Ali, um comando terrorista islâmico toma por assalto o estúdio de televisão, onde se desenvolve um reality show: Big Brother, situação que permite colocar em primeiro plano os lugares comuns que constroem um imaginário que alimenta e se alimenta do popular, e cuja profundidade é o choque entre a crença religiosa e um mundo que em sua maior parte renunciou a ela sem saber que se trata somente de uma substituição de mitologias se consideramos, com as palavras de Guy Debord (1967, p. 25), ao espetáculo como o pseudossagrado. Neste trabalho comentaremos, pois, brevemente, algumas destas novelas para nos atermos a mais recente e analisar as distintas plasmações do meio midiático e sua relação com o imaginário e o aspecto mítico ou religioso, considerando, como Gramsci, a religião como uma utopia que tenta reconciliar de maneira imaginária, mitológica, metafísica, as contradições sociais reais (DIANTEILL e LÖWY, 2009)... |
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